O senso do coletivo e a cultura japonesa

Esse texto foi escrito pela nossa querida amiga Patrícia Takehana do blog Bagagem de Memórias. A Patrícia tem uma relação muito forte com o Japão e com a cultura japonesa, então ficamos super felizes dela poder contar um pouco mais sobre isso aqui no Baú.

O Japão é fascinante. Apesar de pequeno em tamanho, sua diversidade cultural é imensa. Um país que consegue misturar tradição e modernidade de forma única e natural, em que o respeito e o convívio coletivo parecem fazer parte do DNA das pessoas e onde tudo funciona perfeitamente – do simples ato de atravessar a rua de forma organizada à complexa malha de linhas de trens que cobrem praticamente todo o seu território.

Organização, pontualidade, segurança, limpeza, educação e respeito são características que chamam atenção de forma gritante. Isso tem explicação: os japoneses vivem de forma coletiva e isso é ensinado desde a base, seja em casa ou na escola.

Onde mais no mundo as pessoas se organizam em filas, de forma natural, para esperar pelo metrô? E aquele famoso cruzamento de Shibuya, com faixas de pedestre na diagonal, que funciona perfeitamente e sem esforço? Como não citar os funcionários das lojas de departamentos que vão para a porta no final do expediente para agradecer a presença dos clientes, mesmo que não tenham comprado nada? Só no Japão.

cultura japonesa

Lá, os alunos são responsáveis pela limpeza das salas de aula, não tem faxineiro. Eles também se revezam para servir o almoço uns para os outros. E mais! Os mais velhos recebem os mais novos e ensinam as regras, explicam a rotina e o funcionamento da escola. Assim, as crianças aprendem desde pequenas a respeitar os mais experientes, a propagar os ensinamentos e a cultura japonesa e, especialmente, que eles são os principais responsáveis pelo ambiente em que vivem.

Também não existem garis, é a própria população que se organiza de forma voluntária para limpar ruas, praças e locais públicos. Eles aprenderam isso na escola e levam para a vida fora dela. Lembra dos japoneses recolhendo o lixo das arquibancadas durante a Copa do Mundo no Brasil?

A forma mais fácil de se locomover pelo país é de trem. Eles são super pontuais, seja o pinga-pinga ou o shinkansen (trem-bala). Se o trem sai às 10h38 e você chegar 10h39, perdeu a viagem e vai esperar pelo próximo. Se você tem um lugar marcado, tenha a certeza que vai encontrá-lo vazio.

É uma cultura em que o meu tempo não vale mais que o seu, portanto atraso é uma falta de respeito muito grande. O meu espaço não é mais importante que o seu, por isso ninguém te empurra na rua. As minhas ações são tomadas pensando não em mim, mas no bem de todos, no coletivo.

O senso coletivo vai muito além. Eles buscam a homogeneidade do grupo, seja lá no que for. Ser destaque, positiva ou negativamente, não é algo muito bem visto e isso é levado muito a sério. Talvez você já tenha ouvido falar do alto índice de suicídio por notas baixas ou fracasso profissional. Na outra ponta, quem tem mais habilidade, inteligência ou desenvoltura acaba não explorando seu potencial para não despontar no conjunto. Isso explica o motivo deles não saberem receber elogios ou de não ficarem se gabando pelos seus feitos.

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Pela mesma razão, japoneses são péssimos para tomar decisões, seja para escolher o restaurante do jantar ou para assuntos políticos. Cada um tem a sua opinião, mas contrapor o que o outro pensa ou quer não é algo confortável. As chances da primeira opção ser aceita por todos é bem grande, mesmo por quem não concorda.

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Ganhar vantagem em cima dos outros não é prática comum. O jeitinho brasileiro de resolver as coisas, então… com certeza não faz parte da cultura deles. É um povo certinho. Até demais. Isso tudo garante o bom funcionamento e organização da sociedade, ao mesmo tempo que cria uma pressão enorme nas pessoas. Quem não está acostumado e passa um tempo no país sente bastante. Ônus e bônus. Prós e contras.

A proposta deste texto não é defender o Japão como o país perfeito, muito pelo contrário, é um lugar que também tem seus pontos negativos, como qualquer outro. A ideia é trazer uma reflexão sobre como pequenos detalhes das nossas vidas têm raízes profundas que muitas vezes não percebemos. Raízes que podem ser culturais, do convívio na escola, da relação com nossos pais. E como os valores que carregamos são demonstrados em cada ação que tomamos. Já parou para pensar nos seus, de onde eles vem e como eles regem sua vida?

Imaginava que a cultura japonesa fosse assim? Nós aqui do Baú ficamos surpresos e vocês? Comente o que achou.

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Estudante, 21 anos, ama descobrir novas culturas e novos lugares. Viciado em escutar histórias e recentemente se viciou também em compartilhá-las.

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